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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Revolta!

Gente, eu estou tentando me desfazer desse sentimento de raiva, de revolta, de tristeza, de impotência que sinto desde quando me contaram ontem pela manhã o que aconteceu.
A história é longa e começou muito antes da madrugada de domingo, na noite anterior, Daniel bolinou Mayara, que se queixou, a resposta de Daniel foi apenas um "foi mal".
Monique estava bêbada, desacordada, em sono pesado e passou por um abuso sexual. Ela não foi pra cama com ele, começou um amasso e caiu no sono no meio desse amasso. E mesmo que isso acontecesse, não seria direito dele continuar sem seu consentimento. Afinal, é do direito dela escolher até onde vai. É prova de caráter de um homem não fazer nada com uma mulher inconsciente.
Sabe o mais curioso? Ele e a Globo estão aproveitando de sua amnésia alcoólica e de seu sono pesado graças ao álcool para manipular a situação e abafar todo o acontecido. E o nosso "querido amigo" Bial ainda teve a coragem de falar, após uma colagem tosca com momentos onde ela se mexia para parecer que foi tudo um amasso, que o "amor é lindo". Como não sentir nojo desse acontecimento?
Sabe, eu bebo, em muitos momentos eu bebo muito! E, sim, eu sei que há possibilidade de um sono ser tão pesado a ponto de não acordarmos com o teto caindo na nossa cabeça. Eu sei bem o que é isso e tenho a sorte de nunca ter ficado assim em algum lugar onde eu estaria vulnerável. Mas quantas mulheres fora da casa do BBB não passam por isso todos os dias? Sabe, esse assunto é muito maior do que a Globo estar abafando um caso de estupro dentro da casa. A reação do público me assusta.
Li absurdos sobre a menina, sobre a cor da pele do Daniel. Monique foi julgada como culpada por muitos da possível violência sofrida simplesmente por ter bebido e se insinuado. E existem pessoas que creditam a falta de caráter do possível agressor a sua cor de pele. Não se trata de só um problema dentro do BBB, é um reflexo da nossa sociedade, que adora falar que não é racista ou machista, mas que no momento de julgar pessoas ainda o faz e com muito preconceito.
Cansada e enojada com os comentários no Twitter, no Facebook e pela frase do Bial que encerrou o caso para a Globo, só posso dizer uma coisa: "Pára o mundo que eu quero descer!"
Será tão difícil de entender que nenhum homem tem o direito de fazer sexo com uma mulher sem consentimento e que, se a mulher está desacordada, ela não pode consentir nada? Só queria deixar minha revolta ao acontecimento, as atitudes da emissora, do Daniel e da nossa sociedade!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Muito mais que um contraceptivo

Dia 28 de maio é o Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher e, apesar da correria com a monografia, decidi participar da blogagem coletiva do Blogueiras Feministas.
Não vou falar sobre nada novo, camisinha é o assunto mais lugar comum quando se fala de saúde sexual feminina. E o que mais me intriga é saber que ainda existem mulheres que não as usam com seus parceiros fixos. Algumas dizem não usar pois usam outro método contraceptivo e outras porque confiam no parceiro. Independente do motivo, acredito que a camisinha tá muito além de confiança ou contracepção.
O uso da camisinha é questão de saúde, não usá-la pode levar a mulher a pegar alguma DST, dentre elas a aids. Sei que é chover no molhado, mas qualquer outro método contraceptivo não te protege dessas DSTs. E sabemos que, por mais que a gente confie em nossos parceiros, deslizes podem sim acontecer. E isso não faz deles menos confiáveis, apenas prova que são humanos. Em outra hipótese, esse seu parceiro, muito fiel a você, pode ter o vírus HIV em seu corpo sem ele se manifestar e te passar sem nem saber, afinal, seu parceiro teve um passado antes de te conhecer. Outro motivo é simples, ele pode pegar uma micose, de piscina, praia ou sei lá, e te passar e vocês ficarem um reinfectando o outro. Não tem muito como fugir, o uso da camisinha é necessária em qualquer relacionamento.
campanha do carnaval de 2009
De acordo com o site Mulheres contra DST e Aids, 50% das pessoas infectadas pelo vírus HIV no mundo são mulheres e a população feminina infectada pelo vírus está crescendo na América Latina, com aproximadamente 550 mil mulheres. E, independente de campanhas, as mulheres continuam não usando camisinhas e se infectando com seus parceiros fixos.
O sexo seguro não é necessário só em one night stand, a camisinha precisa ser usada em namoros longos e casamentos. Em 2009, a campanha do governo sobre o uso de preservativos no carnaval, foi direcionada a mulheres de 50 anos ou mais, graças ao aumento de mulheres nessa idade a se infectar com o vírus. E sabemos que a maioria das mulheres nessa idade tem relacionamentos fixos ou são casadas. De acordo com o site, as mulheres nessa idade não têm muita voz para pedir a camisinha para o seu parceiro e conseguir fazer essa mulher ter voz para pedir e não aceitar transar sem a camisinha:


Mas, ao falar sobre isso, abordamos muito mais que simplesmente a vontade da mulher. Abordamos também a falta de coragem dessa mulher de pedir ao seu companheiro para colocar a camisinha, uma mulher ainda submissa ao homem. E essa submissão chega a tal ponto dela não conseguir exigir sua própria proteção durante o sexo. E o que mais além disso ela não exige de seu parceiro? No que mais ela é submissa ao seu marido?
Queria mesmo terminar esse texto com alguma frase de efeito legal que combinasse com o que escrevi, mas não tenho muito o que dizer. Esse post é apenas uma reflexão rápida sobre a submissão da mulher em relação ao seu companheiro, deixando-o decidir tudo por ela, sem direito a opinião própria.


Links de outros posts da blogagem coletiva:


Veja mais links no post do Blogueiras Feministas - 28 de maio - dia internacional pela luta da saúde da mulher

    sábado, 30 de abril de 2011

    A mulher e a sociedade

    Trecho do meu trabalho de conclusão do curso de extensão em consciência corporal.

    Lydia Cheng, 1985
    © Robert Mapplethorpe
    No mundo de hoje, as pessoas vêem seu próprio corpo como um pertence nosso, que se nos deixa insatisfeitos, podemos consertar, não notamos que esse corpo é parte de nós, sente nossos estresses e a forma que lidamos com ele. Acabamos vendo o nosso corpo como um objeto, um utilitário como uma roupa ou um carro, só que não notamos que se nosso corpo estragar não podemos trocar por outro mais novo. Apesar de todas as cirurgias plásticas ou por outros motivos, ainda não conseguimos trocar de corpo, devemos cuidar para que este não se “estrague”. Outro problema que o nosso corpo sofre é a não utilização dele, tudo que vem do corpo é considerado ruim. Muitas religiões acreditam que sentimentos corpóreos são ruins, pecaminosos e errados, os intelectuais, em sua grande maioria, esquecem do corpo, por considerá-lo desnecessário e inclusive fonte de sentimentos, que os sentimentos são prejudiciais ao raciocínio.
    Esses problemas em relação à visão corporal só pioram quando se fala especialmente de mulheres. Muitas mulheres, por causa de sua criação, lidam com seu corpo como objeto masculino, ou seja, até seu casamento ou até começar a namorar, seu corpo pertence ao seu pai, após o casamento ou um início de namoro mais sério, o dono de seu corpo vira seu companheiro amoroso. Se o corpo não nos pertence, então devemos agradar o dono desse corpo. Esse é o pensamento das mulheres chinesas que enfaixavam os pés de suas filhas e das mulheres chinesas que aceitavam ter seus pés enfaixados. Aceitando a dor e o sofrimento ao andar, só para se sentir atraente ao seu parceiro. Muitas mulheres contemporâneas se encaixam nesse perfil também. Fazendo o que agrada seu marido ou namorado.
    Outra visão corporal problemática da mulher é quando ela acredita que seu corpo é apenas um utilitário para conseguir o que se deseja, como um namorado, ou até se encaixar num padrão de beleza esperada e moldada pela mídia. O problema é que muitas mulheres quando não se sentem encaixadas nesse padrão de beleza modificam o corpo sem se preocupar com ele. Cirurgias plásticas, roupas, e sapatos que fazem mal ou machucam e dietas malucas são exemplos dessa visão utilitária do corpo feminino. Essa mulher sofre com dores nos pés, mas se acostuma com essas dores, anestesiando seus pés com o costume do uso de sapatos de salto alto. Se não aguenta, faz cirurgias para aliviar as dores. O ideal não seria deixar de usar sapatos que nos machuque os pés?
    A sociedade, através da mídia e do que apreendemos dentro da nossa família, nos impõe essa visão corporal feminina e a considera normal. Quando conhecemos mulheres que se diferenciam desse costume são estranhas, masculinizadas, desleixadas ou até mesmo “hippies”.
    Esse blog possui uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License. Você pode copiar e redistribuir os textos na rede. Mas peço que o meu nome e o link do post original sejam informados claramente.
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