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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Caso BBB 12

Daniel e Monique Foto: Frederico Rozário/Folhapress
Depois de muito debate e muita divulgação de postagens relacionadas a esse caso, a poeira baixou um pouco após a entrada da polícia na história, a expulsão do Daniel e o depoimento da Monique a polícia, mas ainda existem pessoas que não entendem o motivo de nossas reivindicações e revoltas com o acontecido.
O que mais e revoltou nesse caso foi que Monique ficou no escuro, sem saber o acontecido durante um bom tempo. Negou-se por muito tempo o ocorrido, tirando qualquer vestígio do acontecido dos sites de vídeos. O diretor do BBB, o Boninho, além de negar o acontecido ainda acusou tod@s nós, que exigíamos que fosse averiguado o caso de possível estupro, de racistas.
Independente dela dizer que tudo foi consentido, devemos entender que o grande problema dessa história toda é ver como o Brasil ainda se mantém machista, uma mulher não tem direito de beber , não tem direito de dar uns amassos em seu ficante, casinho ou namorado e depois recuar. Se começou tem que terminar, mesmo que a força. Se bebe é vadia e tem que fazer sexo. E, pra piorar, se já teve muitos parceiros sexuais tem que aceitar qualquer um e se disser não, o cara se acha no direito de fazer a força. Esse foi o maior erro, julgar o caráter de uma mulher por coisas tão ínfimas como essas.
Quando lutamos por esse caso, não estamos desmerecendo nenhum outro caso de estupro, seja ele como for, só estamos colocando em pauta uma forma de violência sexual que acontece com muita frequência e ninguém dá a devida importância. Eu tive a sorte de não passar por nada desse tipo, seja ser abusada pelo meu companheiro durante o sono, ou ficar inconsciente (seja por causa de bebedeira ou qualquer outro motivo) e ser violada por pessoas em quem confiei e que deveriam me socorrer. Mas sei que esse episódio poderia acontecer comigo ou com qualquer mulher.
Temos o costume de acreditar que um estupro é um ato de perseguição de uma mulher indefesa em ruas escuras, com uma arma apontada para a cabeça. Mas a maioria dos estupros são cometidos por namorad@s, ficantes, pais, amig@s, padrastos e demais familiares. Quando lutamos para que ela soubesse do acontecido e pudesse falar se houve ou não estupro, era simplesmente para que ela se lembrasse de toda a cena em que estava acordada, soubesse o que houve (se houve) enquanto ela estava dormindo e assim pudesse denunciar o possível agressor. Não esperamos que haja diferenças de atendimento entre as vítimas de estupro, seja como for que esse aconteça e independente da vítima beber, ter uma vida sexual ativa e com vários parceiros, ser virgem, maior de idade, criança, religiosa, ateia, homem (não podemos esquecer que homens também sofrem violências desse tipo) ou mulher. E quando lutamos contra o machismo e o julgamento das pessoas em esse caso é para que tanto a Monique quanto qualquer outra pessoa que sofra com um estupro possa ter seus direitos preservados.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Revolta!

Gente, eu estou tentando me desfazer desse sentimento de raiva, de revolta, de tristeza, de impotência que sinto desde quando me contaram ontem pela manhã o que aconteceu.
A história é longa e começou muito antes da madrugada de domingo, na noite anterior, Daniel bolinou Mayara, que se queixou, a resposta de Daniel foi apenas um "foi mal".
Monique estava bêbada, desacordada, em sono pesado e passou por um abuso sexual. Ela não foi pra cama com ele, começou um amasso e caiu no sono no meio desse amasso. E mesmo que isso acontecesse, não seria direito dele continuar sem seu consentimento. Afinal, é do direito dela escolher até onde vai. É prova de caráter de um homem não fazer nada com uma mulher inconsciente.
Sabe o mais curioso? Ele e a Globo estão aproveitando de sua amnésia alcoólica e de seu sono pesado graças ao álcool para manipular a situação e abafar todo o acontecido. E o nosso "querido amigo" Bial ainda teve a coragem de falar, após uma colagem tosca com momentos onde ela se mexia para parecer que foi tudo um amasso, que o "amor é lindo". Como não sentir nojo desse acontecimento?
Sabe, eu bebo, em muitos momentos eu bebo muito! E, sim, eu sei que há possibilidade de um sono ser tão pesado a ponto de não acordarmos com o teto caindo na nossa cabeça. Eu sei bem o que é isso e tenho a sorte de nunca ter ficado assim em algum lugar onde eu estaria vulnerável. Mas quantas mulheres fora da casa do BBB não passam por isso todos os dias? Sabe, esse assunto é muito maior do que a Globo estar abafando um caso de estupro dentro da casa. A reação do público me assusta.
Li absurdos sobre a menina, sobre a cor da pele do Daniel. Monique foi julgada como culpada por muitos da possível violência sofrida simplesmente por ter bebido e se insinuado. E existem pessoas que creditam a falta de caráter do possível agressor a sua cor de pele. Não se trata de só um problema dentro do BBB, é um reflexo da nossa sociedade, que adora falar que não é racista ou machista, mas que no momento de julgar pessoas ainda o faz e com muito preconceito.
Cansada e enojada com os comentários no Twitter, no Facebook e pela frase do Bial que encerrou o caso para a Globo, só posso dizer uma coisa: "Pára o mundo que eu quero descer!"
Será tão difícil de entender que nenhum homem tem o direito de fazer sexo com uma mulher sem consentimento e que, se a mulher está desacordada, ela não pode consentir nada? Só queria deixar minha revolta ao acontecimento, as atitudes da emissora, do Daniel e da nossa sociedade!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Não é só Fervo

Hoje é dia do Orgulho LGBT, um momento onde pessoas saem nas ruas para mostrar a todos, batendo no peito, que não há motivos para ter vergonha de ser diferente em relação a sua orientação sexual.
Sempre fui muito desligada de paradas do Orgulho LGBT, sei que aqui, em Juiz de Fora, ela acontece junto ao Miss Brasil Gay, durante o Rainbow Fest e, por muito tempo, era só isso que sabia. Moro na cidade desde 2002 e só fui 2 vezes na Parada, sendo que, numa dessas vezes, fui olhar a distância. Na segunda ida, fiquei pouco tempo, a Parada em muitos momentos se transforma em Fervo, esquecem a Real mensagem que deve ser passada: a luta contra o preconceito.
Ano passado eu finalmente conheci os debates durante a semana de Rainbow Fest, sempre muito interessantes e educativos. Alguns falando sobre educação e o trabalho da luta contra o preconceito dentro de sala de aula, outros sobre mídia e política LGBT. O que me frustra durante todo o tempo do festival é que vemos milhares de pessoas na Parada, mas as salas de debates ficam vazias, com pouquíssimas pessoas, que estão realmente interessadas na luta contra o preconceito.
Cartaz do Juiz de Fora Rainbow Fest 2010
Temos o costume de acreditar que, se não passamos por bullying ou não somos expulsos de casa por causa da nossa orientação sexual, não há motivos para lutar, está tudo bem. Mas não é verdade, não é porque não passamos por preconceito que ele não existe e tudo é fervo e alegria. Toda semana escutamos alguma notícia ruim relacionada com intolerância contra pessoas da comunidade LGBT. Essa violência pode sim atingir qualquer um de nós, não apenas os próprios membros da comunidade ou familiares e/ou amigos desses membros.  Quant@s menin@s você não conhece que são heterossexuais e já foram ofendid@s com xingamentos homofóbicos? Somos tod@s vítimas desse problema, por isso que não podemos apenas aproveitar o fervo e as baladinhas LGBT, famosas por suas ótimas músicas.
Crédito - Agência Estado - Portal r7
De nada vale eu e você livres de preconceito, se algum Pit Boy pode machucar ou bater em um amigo, em um familiar ou em nós mesmos. Tudo pelo motivo torpe de não aceitar a orientação sexual presumida da vítima. De nada vale eu ou você considerarmos um casal homossexual como casad@s e passíveis de constituir uma família, se a justiça não dá direitos iguais a casais hetero e homoafetivos. É por isso tudo que precisamos lutar de verdade contra a homofobia e pelos direitos iguais a todos, independente da orientação sexual. Se você apoia a luta LGBT, milite de verdade, indo em debates e a mostrando que você tá na causa muito além das festas!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Marcha das Vadias JF - Como foi a luta!

Meninas de luta - Foto de Alice Tristão
Eu preciso escrever um pouco sobre o que senti durante e depois da Marcha das Vadias daqui de Juiz de Fora. Contar como foi minha primeira iniciativa como militante no mundo real.

Assumo que nunca tinha militado fora da internet e fiquei muito feliz com a marcha. Mesmo sabendo que a marcha foi pequena comparada com as marchas de outros locais, foi legal ver pessoas engajadas na luta ali, na minha frente.
As meninas fizeram cartazes, uma faixa grande e levaram um megafone pra gente agitar e falar pro povo da rua. Distribuimos panfletos e conversamos com transeuntes explicando qual era a nossa luta. O que mais me empolgou foi ver homens nos ajudando e dando apoio a nossa marcha. O marido da amiga minha Lu Vittori, foi entregar panfletos junto do seu filho, pequeninho, contando aos caras com quem conversava a história da marcha. Me senti orgulhosa dos meus companheiros de luta homens e mulheres, vi o quanto o feminismo é um movimento plural, feito por pessoas diferentes, homens e mulheres lutando pela igualdade entre os sexos.
Olha só os cartazes no chão e a gente cantando! - Foto de Alice Tristão
A minha tristeza foi notar o quanto a cidade de Juiz de fora é machista! Durante a marcha, eu vi alguns homens por perto rindo, como se a nossa causa fosse idiota. Também vi muitas mulheres ignorando a gente, meio de saco cheio por serem importunadas.
Sei que sempre fui extremamente Pollyana, sempre vi tudo com óculos cor de rosa, acho que se temos 15 pessoas lutando por uma causa já é um ótimo começo, claro, é melhor que ficar na inércia.
Aqui na cidade, o corpo da mulher ainda não é visto pela maioria dos homens (e mulheres também) como propriedade da própria mulher. Muitos homens ainda acreditam que a mulher é um objeto que se pode comprar ou roubar quando se deseja. Tem o "educado" que tenta nos comprar com uma cerveja, uma rosa ou com qualquer outro tipo de presente. E tem também o "bruto", o "abusador", que nos viola contra a nossa vontade. Pra mim, os dois olham para a mulher da mesma forma, como um objeto. Enquanto essa mentalidade for alimentada por nós mulheres, ainda existirão homens abusando e violando mulheres. 
Orgulhosa após a marcha - Foto de Alice Tristão
Por isso fiquei tão feliz em ver homens em nossa pequena marcha, se alguns homens mudaram seu pensamento, é uma vitória e uma forma de atingir outros homens. Quando nós, mulheres, falamos com esse tipo de homens, eles não dão tanta importância a nossa opinião, somos apenas objetos. Mas, quando um igual fala com eles, eles param para prestar atenção e absorvem pelo menos um pouco do que foi dito.

Posso dizer que, mesmo menor do que imaginava, essa marcha foi um ótimo começo para a minha militância e um passo importante pra mudar a mentalidade dos juizforanos.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O que é e porque ir a #MarchaDasVadias

Gente, esse texto é pequeno, mas é que eu tive um clarão criativo agora e quis escrever o texto que tá (eu sei eu sei) repetitivo. Muita gente já falou de coisas assim em blogs e sites quado se fala da marcha, mas vale repetir.


A marcha das vadias é uma manifestação pacífica contra a violência machista e sexual que sofremos no dia a dia. É de cunho feminista, mas deve ser uma luta de tod@s no mundo!

Acredito que é uma luta feminista, mas deve ser aderida por todos, afinal, todos nós sofremos com esse tipo de violência. Mulheres que são vítimas, parentes, amigos, namorados, namoradas e cônjuges de vítimas de abuso sofrem com essa violação. A luta contra a violência machista e sexual é de todo mundo!
Nós mulheres aprendemos a nos calar por medo de sermos tratadas como culpadas da violência que sofremos. Eu e qualquer mulher ouvimos nas ruas cantadas, se respondemos, rebatem que nós pedimos pelas cantadas ofensivas, por causa de nossas roupas ou atitudes. Mas não somos culpadas, precisamos entender que a culpa é do violador, em qualquer momento ou circunstância. Se eu beber demais, sair com roupas curtas, ir a bares ou andar por ruas desertas, ninguém tem direito de me violar, nada é um convite pra me estuprar.
Eu fiz defesa pessoal, Krav Maga, por muito tempo, enquanto conhecidos meus homens faziam pra se defender de um assalto, eu fazia porqque tinha medo de sofrer violência sexual por agir e fazer o que muitos homens fazem no dia a dia sem medo algum. Onde já se viu precisar de defesa pessoal pra não sofrer com algo que mulher nenhuma deveria sofrer? E conheço muitas amigas que não saem certos horários, com certas roupas e pra certos lugares sem amigos do sexo masculino, por medo da violação sexual.
Isso porque não falei de mulheres e garotas que sofrem violação sexual sem nem sair de casa, de seus pais, tios, padrastos, irmãos, maridos e outros parentes ou amigos. Nenhum homem tem o direito de usar a força física ou qualquer outra coisa pra bater, humilhar ofender ou abusar de uma mulher. É covardia!
É por isso que sairemos amanhã em marcha. Não é apenas pelo direito de vestir uma roupa ou não, é por tudo isso que falei anteriormente. Pouca coisa, que todo mundo deveria ter direito desde seu nascimento e que nós, mulheres, muitas vezes não temos direito: a liberdade!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Confecção de cartazes para a Marcha das Vadias JF


Pessoal,

Estarei no dia 17 na Praça Cívica às 15h esperando o pessoal para a confecção dos cartazes para a marcha. Quem puder ir, leve sua(s) cartolina(s) e canetinhas hidrográficas e outras canetas de sua preferência e idéias maravilhosas de frases para colocarmos nos cartazes. :) Quem for chegar atrasad@, estaremos, se não chover, numa das mesas da Praça Cívica, se chover iremos pra dentro da biblioteca.
Quem não puder ir e confeccionar seu próprio cartaz, levarei alguns extra para a Marcha. :D

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Convocação para Marcha das Vadias JF

Mulheres e homens juizforanos!
Marcha das Vadias São Paulo - foto do site Rede Brasil Atual
Gostaria de convidar tod@s vocês para a nossa Marcha das Vadias em Juiz de Fora! Acredito que precisamos de uma inciativa como essa na nossa cidade, afinal, sabemos o quanto as mulheres daqui sofrem com o desconforto de não poder sair de casa vestidas como desejam por medo de cantadas ofensivas, passadas de mão e até coisas piores. Precisamos dar um basta a essa falta de respeito com o nosso corpo. Usar roupas curtas não é crime, estuprar é!
Bem, o evento foi divulgado no Facebook nesse link aqui: https://www.facebook.com/event.php?eid=209696035736497

A marcha acontecerá no dia 18 de junho, às 14h30 no Parque Halfeld. Mais pra frente, combinaremos uma data para a confecção dos cartazes e para combinarmos o itinerário da marcha!
Estão tod@s convidad@s!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Muito mais que um contraceptivo

Dia 28 de maio é o Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher e, apesar da correria com a monografia, decidi participar da blogagem coletiva do Blogueiras Feministas.
Não vou falar sobre nada novo, camisinha é o assunto mais lugar comum quando se fala de saúde sexual feminina. E o que mais me intriga é saber que ainda existem mulheres que não as usam com seus parceiros fixos. Algumas dizem não usar pois usam outro método contraceptivo e outras porque confiam no parceiro. Independente do motivo, acredito que a camisinha tá muito além de confiança ou contracepção.
O uso da camisinha é questão de saúde, não usá-la pode levar a mulher a pegar alguma DST, dentre elas a aids. Sei que é chover no molhado, mas qualquer outro método contraceptivo não te protege dessas DSTs. E sabemos que, por mais que a gente confie em nossos parceiros, deslizes podem sim acontecer. E isso não faz deles menos confiáveis, apenas prova que são humanos. Em outra hipótese, esse seu parceiro, muito fiel a você, pode ter o vírus HIV em seu corpo sem ele se manifestar e te passar sem nem saber, afinal, seu parceiro teve um passado antes de te conhecer. Outro motivo é simples, ele pode pegar uma micose, de piscina, praia ou sei lá, e te passar e vocês ficarem um reinfectando o outro. Não tem muito como fugir, o uso da camisinha é necessária em qualquer relacionamento.
campanha do carnaval de 2009
De acordo com o site Mulheres contra DST e Aids, 50% das pessoas infectadas pelo vírus HIV no mundo são mulheres e a população feminina infectada pelo vírus está crescendo na América Latina, com aproximadamente 550 mil mulheres. E, independente de campanhas, as mulheres continuam não usando camisinhas e se infectando com seus parceiros fixos.
O sexo seguro não é necessário só em one night stand, a camisinha precisa ser usada em namoros longos e casamentos. Em 2009, a campanha do governo sobre o uso de preservativos no carnaval, foi direcionada a mulheres de 50 anos ou mais, graças ao aumento de mulheres nessa idade a se infectar com o vírus. E sabemos que a maioria das mulheres nessa idade tem relacionamentos fixos ou são casadas. De acordo com o site, as mulheres nessa idade não têm muita voz para pedir a camisinha para o seu parceiro e conseguir fazer essa mulher ter voz para pedir e não aceitar transar sem a camisinha:


Mas, ao falar sobre isso, abordamos muito mais que simplesmente a vontade da mulher. Abordamos também a falta de coragem dessa mulher de pedir ao seu companheiro para colocar a camisinha, uma mulher ainda submissa ao homem. E essa submissão chega a tal ponto dela não conseguir exigir sua própria proteção durante o sexo. E o que mais além disso ela não exige de seu parceiro? No que mais ela é submissa ao seu marido?
Queria mesmo terminar esse texto com alguma frase de efeito legal que combinasse com o que escrevi, mas não tenho muito o que dizer. Esse post é apenas uma reflexão rápida sobre a submissão da mulher em relação ao seu companheiro, deixando-o decidir tudo por ela, sem direito a opinião própria.


Links de outros posts da blogagem coletiva:


Veja mais links no post do Blogueiras Feministas - 28 de maio - dia internacional pela luta da saúde da mulher

    segunda-feira, 2 de maio de 2011

    Menstruação e achismos de alguém que quer quebrar (seus próprios) tabus!

    Pra participar da blogagem coletiva da 2@ Vermelha, decidi repensar tabus sobre meu corpo, menstruação e tudo que ela significa pra mim e para outras mulheres.
    Sempre fui uma mulher que sofreu com menstruação, cólicas horríveis, enjôos, dores de cabeça, stress e um fluxo muito forte - estou sentindo tudo enquanto falo, afinal hoje é o meu primeiro dia de menstruação - e sempre tive uma raiva danada de ficar de cama no primeiro dia de menstruação. Mas nunca entendi o que faz tanta mulher sentir nojo da menstruação. Eu mesma já tive nojo de menstruar, já vi o sangue da minha menstruação como algo muito sujo. Hoje, tento quebrar esse tabu de sujeira, afinal, quando me machuco e sangro não tenho nojo, qual a diferença de um sangue pra outro?
    Outra coisa que tenho tentado entender é porque toda mulher passa um período da vida torcendo para a menarca descer e, depois que ela desce, passa amaldiçoar todo mês a menstruação? Muitas delas nem sofrem com cólicas, mas vivem a reclamar de passar por isso todo mês. Se o homem menstruasse, com certeza, seríamos ensinadas que menstruação é algo bom, mas como somos nós, mulheres, quem menstruamos ouvimos desde a infância que menstruação é tortura, sem nem entender o porque. Eu mesma preciso parar de reclamar desses dias e sentir o que está acontecendo com o meu corpo: ele tá passando por uma limpeza, tá renovando um ciclo. Eu passo tanto tempo reclamando das dores que esqueço da melhor parte da menstruação, minha libido aumenta e eu fico mais sensível, tudo me faz rir, chorar e amar os outros! Eu ontem mesmo, me peguei chorando de tanto rir com uma piada boba, isso não é maravilhoso?! Sentidos aguçados, daí vem minha irritação e também é daí que vem minha felicidade excessiva.
    Falando em sentimentos e aumento da libido, porque tem mulheres que não transam quando estão menstruadas? Eu adoro transar quando eu to menstruada! Estou mais sensível, despreocupada com gravidez(assumo sou uma pessoa sempre grilada, usando pílula e camisinha eu sempre acho que podem falhar, e fico sempre nervosa com a possibilidade de engravidar antes de terminar a pós, o mestrado e o doutorado!), não tem porque não transar. Mas tem mulheres que não aceitam transar, por nojo do próprio corpo ou por medo do parceiro sentir nojo. Mas uma vez me pergunto, se fossem os homens, existiria todo esse nojo, essa sensação de impureza no nosso corpo? É algo a se pensar.

    Eu espero me livrar de muitos tabus até a próxima 2@ Vermelha e poder contar a vocês como é viver sem preconceitos com o meu próprio corpo.

    Postagem no Blogueiras Feministas, site da Campanha e links de outras Blogueiras Feministas:

    sábado, 30 de abril de 2011

    A mulher e a sociedade

    Trecho do meu trabalho de conclusão do curso de extensão em consciência corporal.

    Lydia Cheng, 1985
    © Robert Mapplethorpe
    No mundo de hoje, as pessoas vêem seu próprio corpo como um pertence nosso, que se nos deixa insatisfeitos, podemos consertar, não notamos que esse corpo é parte de nós, sente nossos estresses e a forma que lidamos com ele. Acabamos vendo o nosso corpo como um objeto, um utilitário como uma roupa ou um carro, só que não notamos que se nosso corpo estragar não podemos trocar por outro mais novo. Apesar de todas as cirurgias plásticas ou por outros motivos, ainda não conseguimos trocar de corpo, devemos cuidar para que este não se “estrague”. Outro problema que o nosso corpo sofre é a não utilização dele, tudo que vem do corpo é considerado ruim. Muitas religiões acreditam que sentimentos corpóreos são ruins, pecaminosos e errados, os intelectuais, em sua grande maioria, esquecem do corpo, por considerá-lo desnecessário e inclusive fonte de sentimentos, que os sentimentos são prejudiciais ao raciocínio.
    Esses problemas em relação à visão corporal só pioram quando se fala especialmente de mulheres. Muitas mulheres, por causa de sua criação, lidam com seu corpo como objeto masculino, ou seja, até seu casamento ou até começar a namorar, seu corpo pertence ao seu pai, após o casamento ou um início de namoro mais sério, o dono de seu corpo vira seu companheiro amoroso. Se o corpo não nos pertence, então devemos agradar o dono desse corpo. Esse é o pensamento das mulheres chinesas que enfaixavam os pés de suas filhas e das mulheres chinesas que aceitavam ter seus pés enfaixados. Aceitando a dor e o sofrimento ao andar, só para se sentir atraente ao seu parceiro. Muitas mulheres contemporâneas se encaixam nesse perfil também. Fazendo o que agrada seu marido ou namorado.
    Outra visão corporal problemática da mulher é quando ela acredita que seu corpo é apenas um utilitário para conseguir o que se deseja, como um namorado, ou até se encaixar num padrão de beleza esperada e moldada pela mídia. O problema é que muitas mulheres quando não se sentem encaixadas nesse padrão de beleza modificam o corpo sem se preocupar com ele. Cirurgias plásticas, roupas, e sapatos que fazem mal ou machucam e dietas malucas são exemplos dessa visão utilitária do corpo feminino. Essa mulher sofre com dores nos pés, mas se acostuma com essas dores, anestesiando seus pés com o costume do uso de sapatos de salto alto. Se não aguenta, faz cirurgias para aliviar as dores. O ideal não seria deixar de usar sapatos que nos machuque os pés?
    A sociedade, através da mídia e do que apreendemos dentro da nossa família, nos impõe essa visão corporal feminina e a considera normal. Quando conhecemos mulheres que se diferenciam desse costume são estranhas, masculinizadas, desleixadas ou até mesmo “hippies”.

    segunda-feira, 25 de abril de 2011

    This is not an invitation to rape me - divulgação

    Bem, no post de hoje, decidi fazer algo pequenino, uma divulgação sobre o site This is not an invitation to rape me e também a minha humilde opinião sobre esse projeto e a necessidade de algo do tipo aqui no Brasil.
    Renata Oliveira Lima postou no Blogueiras Feministas um texto sobre esse site e me senti muito interessada em falar sobre isso, nem que seja reforçar que nenhuma mulher, mesmo bêbada, mesmo desistindo no meio das preliminares, mesmo andando nua pela rua e mesmo casando com você, é culpada por um estupro.
    Vejo aqui no Brasil, muitas mulheres com medo de denunciar estupro porque acredita que criou a oportunidade, porque andou numa rua deserta, porque bebeu demais, porque foi para a casa de um cara e depois desistiu de transar. Não é justo a vítima se sentir culpada de uma violência tão injusta como essa.
    Leiam e divulguem esse site, quem sabe assim essas injustiças diminuam!

    quinta-feira, 21 de abril de 2011

    Camille Claudel, uma artista a sombra de seu amante

    Camille Claudel, mais conhecida como amante de Auguste Rodin, era uma escultora com trabalhos maravilhosos, desde muito nova, demonstrava seu brilhante talento. Apesar disso, graças ao machismo da época, viveu a sombra de seu amante, trabalhando por muito tempo como sua ajudante. Sua invisibilidade aconteceu graças ao machismo da sociedade artística (que também existe hoje em dia) do século XIX.
    Camille era uma mulher diferente das demais mulheres de sua época, ela desejava seguir sua carreira e, por sorte, tinha o apoio de seu pai, que levou a família pra Paris para que sua filha pudesse estudar escultura e crescesse como artista. Quando conheceu Rodin, ela não era conhecida, estava começando seu trabalho, Rodin, apesar do contrato para esculpir as Portas do Inferno e Os Burgueses de Calais, ainda era mal visto pelos criticos daquela época.
    Camille foi convidada para trabalhar com Rodin, e com o tempo eles começaram a ter um relacionamento amoroso. Os dois viveram por muito tempo como amantes e isso trouxe influência de um no trabalho do outro. Camille e Rodin se mudam para o “retiro pagão”, uma casa alugada pelo escultor para os dois viverem. Nessa época, Camille começa a produzir trabalhos como Sakundala e os bustos de Paul e Rodin, vistos muito bem pela crítica. Apesar disso, a sociedade continuava a condená-la, por ser mulher e, para piorar, amante de um homem casado, isso a impediu de concorrer a concursos de obras públicas. A escultora engravida de Rodin, que a manda para o interior nessa época, ela acaba perdendo o filho. Seu irmão a considera impura e suja após esse aborto.
    Depois desse aborto, Camille rompe o romance e começa a trabalhar em um ateliê próprio, negando qualquer influência do escultor e ex-amante, a escultora tenta conseguir encomendas sem a ajuda de Rodin. Nessa mesma época, Camille começa a beber, chegando a expor, mas nunca aparece em suas exposições, dizendo que está muito acabada para se expor. Camille se corresponde com Eugène Blot, dono de uma galeria que seus trabalhos eram vinculados, contando a necessidade de dinheiro e a dificuldade de conseguir encomendas por ser mulher.
    Os vizinhos ouvem a escultora o tempo todo gritar “o canalha do Rodin”, Camille passa a detestar o mundo artístico, acreditando que todos são parte do grupo de Rodin. Ela acredita que seus trabalhos e desenhos seriam roubados, executados, dando sucesso a outra pessoa e excluindo seu nome de vez do meio artístico.
    Camille passa a acreditar que está sendo perseguida por Rodin e não muda de opinião até sua morte, ela começa a delirar, acreditando que conhecidos do escultor estão tentando entrar em sua casa. A partir daí, todo ano no mês de julho, Camille destruía suas obras e depois sumia por um tempo. Seu pai, até o fim da vida, a mantém financeiramente e tenta convencer seu filho, Paul, a interceder com sua mãe para que ela se aproxime de Camille, quem sabe ela não melhorasse. Mas a mãe da escultora continua irredutível, não desejava se relacionar com a filha. Assim que seu pai morre, Camille é internada pela família em um asilo.
    Camille passa sua vida sendo preterida, primeiro por sua mãe e depois pelo amante. Sua mãe a teve um ano e três meses após a morte prematura de seu primeiro filho e não a queria pois esperava que nascesse um menino. Rodin nunca abandonou sua esposa para ficar com a escultora, não a assumindo como mulher. E decepciona seu pai ao se apaixonar por Rodin e abandonar sua carreira por causa dele. Camille, infeliz, fala em uma de suas cartas que deveria ter deixado esse trabalho e comprado vestidos, que o que ela fazia combinava com barbas e caras feias, não com uma mulher relativamente bem dotada pela natureza.
    A escultora escreve para a mãe durante os trinta anos em que ficou no asilo, pedindo para que ela a tirasse de lá, mas a mãe proibe que o diretor a deixe sair de lá. Ao mesmo tempo que pede a sua mãe pra sair, culpabiliza Rodin por sua internação, preferindo a indiferença de Rodin à raiva de sua mãe. Camille continua internada e sem esculpir até sua morte.

    A escultora foi culpabilizada por sua mãe e pela sociedade artística por não ser homem, vivendo no preconceito e na sombra de um amante que não a via como uma artista talentosa, Rodin a via no máximo como uma ajudante ou uma musa, nunca como uma colega de trabalho. Também foi o machismo que a afastou de seu pai e irmão, que não aceitavam que ela fosse amante de Rodin. Uma artista brilhante que foi pouco conhecida por sua capacidade e talento, tendo fama apenas de louca e amante de um artista que era machista e mulherengo.


    Saiba mais sobre a artista:

    Filme

    Camille Claudel, Bruno Nuytten, 1989;
    Livros
    DELBÉE, Anne, Camille Claudel: uma mulher, São Paulo: Martins Fontes, 1988.
    WAHBA, Liliana Liviano, Camille Claudel: criação e loucura, Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2002.
    ROCHA, Ana Maria Martins Lino, Escolha da paixão: uma análise do romance entre Camille Claudel e Auguste Rodin à luz da psicanálise, São Paulo: Vetor, 2001.


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