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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Caso BBB 12

Daniel e Monique Foto: Frederico Rozário/Folhapress
Depois de muito debate e muita divulgação de postagens relacionadas a esse caso, a poeira baixou um pouco após a entrada da polícia na história, a expulsão do Daniel e o depoimento da Monique a polícia, mas ainda existem pessoas que não entendem o motivo de nossas reivindicações e revoltas com o acontecido.
O que mais e revoltou nesse caso foi que Monique ficou no escuro, sem saber o acontecido durante um bom tempo. Negou-se por muito tempo o ocorrido, tirando qualquer vestígio do acontecido dos sites de vídeos. O diretor do BBB, o Boninho, além de negar o acontecido ainda acusou tod@s nós, que exigíamos que fosse averiguado o caso de possível estupro, de racistas.
Independente dela dizer que tudo foi consentido, devemos entender que o grande problema dessa história toda é ver como o Brasil ainda se mantém machista, uma mulher não tem direito de beber , não tem direito de dar uns amassos em seu ficante, casinho ou namorado e depois recuar. Se começou tem que terminar, mesmo que a força. Se bebe é vadia e tem que fazer sexo. E, pra piorar, se já teve muitos parceiros sexuais tem que aceitar qualquer um e se disser não, o cara se acha no direito de fazer a força. Esse foi o maior erro, julgar o caráter de uma mulher por coisas tão ínfimas como essas.
Quando lutamos por esse caso, não estamos desmerecendo nenhum outro caso de estupro, seja ele como for, só estamos colocando em pauta uma forma de violência sexual que acontece com muita frequência e ninguém dá a devida importância. Eu tive a sorte de não passar por nada desse tipo, seja ser abusada pelo meu companheiro durante o sono, ou ficar inconsciente (seja por causa de bebedeira ou qualquer outro motivo) e ser violada por pessoas em quem confiei e que deveriam me socorrer. Mas sei que esse episódio poderia acontecer comigo ou com qualquer mulher.
Temos o costume de acreditar que um estupro é um ato de perseguição de uma mulher indefesa em ruas escuras, com uma arma apontada para a cabeça. Mas a maioria dos estupros são cometidos por namorad@s, ficantes, pais, amig@s, padrastos e demais familiares. Quando lutamos para que ela soubesse do acontecido e pudesse falar se houve ou não estupro, era simplesmente para que ela se lembrasse de toda a cena em que estava acordada, soubesse o que houve (se houve) enquanto ela estava dormindo e assim pudesse denunciar o possível agressor. Não esperamos que haja diferenças de atendimento entre as vítimas de estupro, seja como for que esse aconteça e independente da vítima beber, ter uma vida sexual ativa e com vários parceiros, ser virgem, maior de idade, criança, religiosa, ateia, homem (não podemos esquecer que homens também sofrem violências desse tipo) ou mulher. E quando lutamos contra o machismo e o julgamento das pessoas em esse caso é para que tanto a Monique quanto qualquer outra pessoa que sofra com um estupro possa ter seus direitos preservados.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Estupro Conjugal

"E quando eles voltam, sedentos 
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas" - Mulheres de Atenas, Chico Buarque






Nós mulheres crescemos ouvindo que "homem precisa fazer sexo todos os dias, sempre que desejar." Muitas de nós aprendemos a aceitar e até nos forçar a realizar os desejos de nossos companheiros, maridos ou namorados. Mas até onde é só uma transa sem muita vontade que acaba até sendo boazinha no fim das contas? Onde começa o limite da violência?
Eu falo com muita sinceridade, não gosto e não faço sexo sem vontade, por mais frustrado que possa deixar meu (minha) parceir@.  Nunca fui desrespeitada, nenhum d@s parceir@s que tive até hoje me forçou a fazer sexo sem vontade. Mas sei que existem mulheres que passam por essa violência todos os dias no Brasil e no mundo.
Acostumamos a acreditar que é obrigação da mulher satisfazer as vontades de seu marido, esquecendo de suas próprias vontades. Com isso, muitas mulheres sofrem caladas o estupro conjugal, que pode ocorrer com ou sem violência física, em muitos momentos a violência psicológica é o bastante ou até mais forte que a física ("se você não fizer procuro em outro lugar!" entre outras frases muito piores).
O que se precisa entender é que, quando um homem força sua companheira, esposa ou namorada a fazer sexo com ele, ele não está exigindo algo que é obrigação dela para com ele. Ele está violando-a e essa violação dói mais do que se fosse com um desconhecido. Nenhuma mulher merece passar por um trauma desses, ainda mais dentro da própria casa, feito por uma pessoa que deveria ser confiável, afinal dorme ao seu lado todas as noites.
De acordo com a minha consultora jurídica (a.k.a. minha irmã Lia Maria Manso Siqueira), para o código penal, o cônjuge pode sim ser julgado por estupro. Mas existe na lei civil o conceito de "débito conjugal", onde os cônjuges tem a obrigação de ceder seu corpo a satisfação sexual mútua. Ou seja, o débito conjugal não poderia ser visto como estupro, presumindo automaticamente o consentimento do ato sexual pelo cônjuge.
Também de acordo com o que a Lia me disse, a melhor doutrina e jurisprudência entendem pela inexistência do débito conjugal, e assim, pela possibilidade de estupro entre cônjuges desde que a relação não seja consentida.
Mas, o que eu quero mostrar ao falar de legislação é que, por mais que o débito conjugal sirva para ambos os cônjuges, sabemos que não é normal ver histórias onde o marido seja forçado a fazer sexo com sua esposa. A sociedade é machista, nossas leis são um reflexo de nossa visão de mundo. No texto Da Violência Sexual Intra-matrimônio: Entendendo o Débito Conjugal no Mundo Hodierno de Bárbara Martins Lopes, no Brasil, 54% dos estupros são cometidos pelo marido.
E estamos falando de uma pesquisa, sabemos que muitas mulheres mentem, outras não aceitam fazer parte dessas pesquisas, seja por vergonha ou por acreditar que é obrigação dela satisfazer seu companheiro.
E não, a culpa não é do débito conjugal, até por não ser usado mais pela maioria dos advogados. A violência existe muito além de um trecho do Código Civil, existe em nossas mentes, na educação que damos aos nossos filhos, no machismo que ainda perpetuamos com frases, atitudes e falta de atitudes no nosso dia a dia. De nada adiantaria modificar o Código Civil e acabar com o débito conjugal se ainda existir mulheres sofrendo por causa dessa violência caladas.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Memê comemorativo de aniversário das Blogueiras Feministas

Vamos comemorar o aniversário das Blogueiras Feministas com o Meme proposto pela Marília Moschkovich no blog dela:

Dia 1 - Quem foi a primeira blogueira feminista que você se lembra de
ter lido? Ah, foi a Lola. Ela me inspirou começar a lutar e militar pelo feminismo.

Dia 2 - Que blogueira feminista você ainda não conhece pessoalmente e
gostaria de conhecer? Xiii, são tant@s, queria conhecer a Marília Moschkovich, a Luciana Nepomuceno, a Bianca Cardoso, a Cláudia Gavenas e o Marcelo Caetano.

Dia 3 - Qual o post que mais te surpreendeu ou apaixonou em nosso
blog? Olha foram dois, o primeiro foi o primeiro post do Marcelo Caetano (do manicomio a Unb) e o segundo foi o da Cláudia Gavenas com o título Quando o Machismo vem da Mulher.

Dia 4 - Como você chegou até a lista e/ou até o blog? Cheguei por causa de um post no blog da Lola que levou a um post no blog da Cynthia Semíramis que levou ao grupo e ao blog.

Dia 5 - Como foi (ou como acha que será) o seu primeiro encontro ao
vivo com uma BF? Foi muito divertido, conheci no Rio a Eneida e a Luma, foi mega divertido e conversamos um bocado (principalmente com a Eneida, que passou a tarde toda comigo, rsrsrs).

Dia 6 - Qual a sua maior descoberta, em termos de feminismo, que veio
pela lista ou pelo blog? A minha maior descoberta sobre o feminismo foi a pluralidade das pessoas que militam por ele e o quanto essa pluralidade pode ser favorável a luta.

Dia 7 - Que assuntos você gostou mais de ver em nosso blog ou lista?
Por quê? Eu sempre fico feliz quando vejo assuntos relacionados a homofobia e ao racismo entrando em discussão na lista e no blog, pq são lutas complementares, ao meu ver.

(respondendo todos os dias num só, pq estarei sem net durante a minha ida a Sampa)





Links:

sábado, 30 de julho de 2011

Coletor menstrual e minha nova vida de mulher satisfeita!

Esse mês de julho eu comecei a usar o meu coletor menstrual, que foi comprado mesmo com toda a campanha contra que a minha ginecologista fez. Comprei no site do MeLuna, foi entregue muito rapidinho e eu só precisei esperar a menstruação para começar a usá-lo.
Qual o motivo para tanto alarde sobre o coletor? Bem, ele é econômico, prático, não tem a possibilidade de dar alergia como os absorventes internos e não dá assadura como os absorventes externos. Não fui atrás dele por nenhum desses motivos, eu pensei em começar a usá-lo graças a minha culpa de fazer mal ao meio ambiente, sempre quis uma alternativa de absorvente para trocar pelos descartáveis, mas nunca tive coragem de assumir o absorvente de pano, seria desconfortável. E ficava nessa entre meu conforto e minha culpa sem saber o que fazer, até as meninas do blogueiras feministas me mostrarem as maravilhas do coletor menstrual.
Contarei para vocês como foi minha primeira experiência com ele, para vocês ficarem mais a vontade de encomendar um o mais rápido possível.
Eu fiz a experiência de colocá-lo antes dos dias de menstruação, lógico, né? Mas não tive certeza se ele estava bem encaixado, afinal, todo mundo dizia que precisava fazer barulho para ver que o vácuo tá funcionando e não fazia barulho. Mas decidi deixar pra ver como funcionaria quando estivesse menstruada.
E então, chegou o primeiro dia de menstruação, estava eu, fora de casa, carregando o coletor comigo como carrego minha escova de dentes. Ela chegou, eu o coloquei, não ouvi o barulhinho do vácuo, mas... Ele não vazou! Outra coisa maravilhosa foi ver que eu consigo tirar com tranquilidade, apenas com o movimento muscular, sem problema algum. E eu comprei o maior que tinha, por medo do meu fluxo, mas, mesmo assim, ele não incomoda, parece que não estou usando nada.
Tente fazer um pequeno bem ao nosso planeta e ao seu bolso, aposentando os absorventes descartáveis e trocando-os por um coletor menstrual. (lembrando que ele custa 70,00 em média e dura de 5 a 10 anos!)
Mais informações sobre coletores menstruais:
Blogueiras Feministas - Tira Dúvidas: Coletores Menstruais
Foi feito pra isso - O coletor menstrual – ou pequenos desastres (um post engraçado sobre coletor menstrual!)
Aquela Deborah - Coletor menstrual

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Marcha das Vadias JF - Como foi a luta!

Meninas de luta - Foto de Alice Tristão
Eu preciso escrever um pouco sobre o que senti durante e depois da Marcha das Vadias daqui de Juiz de Fora. Contar como foi minha primeira iniciativa como militante no mundo real.

Assumo que nunca tinha militado fora da internet e fiquei muito feliz com a marcha. Mesmo sabendo que a marcha foi pequena comparada com as marchas de outros locais, foi legal ver pessoas engajadas na luta ali, na minha frente.
As meninas fizeram cartazes, uma faixa grande e levaram um megafone pra gente agitar e falar pro povo da rua. Distribuimos panfletos e conversamos com transeuntes explicando qual era a nossa luta. O que mais me empolgou foi ver homens nos ajudando e dando apoio a nossa marcha. O marido da amiga minha Lu Vittori, foi entregar panfletos junto do seu filho, pequeninho, contando aos caras com quem conversava a história da marcha. Me senti orgulhosa dos meus companheiros de luta homens e mulheres, vi o quanto o feminismo é um movimento plural, feito por pessoas diferentes, homens e mulheres lutando pela igualdade entre os sexos.
Olha só os cartazes no chão e a gente cantando! - Foto de Alice Tristão
A minha tristeza foi notar o quanto a cidade de Juiz de fora é machista! Durante a marcha, eu vi alguns homens por perto rindo, como se a nossa causa fosse idiota. Também vi muitas mulheres ignorando a gente, meio de saco cheio por serem importunadas.
Sei que sempre fui extremamente Pollyana, sempre vi tudo com óculos cor de rosa, acho que se temos 15 pessoas lutando por uma causa já é um ótimo começo, claro, é melhor que ficar na inércia.
Aqui na cidade, o corpo da mulher ainda não é visto pela maioria dos homens (e mulheres também) como propriedade da própria mulher. Muitos homens ainda acreditam que a mulher é um objeto que se pode comprar ou roubar quando se deseja. Tem o "educado" que tenta nos comprar com uma cerveja, uma rosa ou com qualquer outro tipo de presente. E tem também o "bruto", o "abusador", que nos viola contra a nossa vontade. Pra mim, os dois olham para a mulher da mesma forma, como um objeto. Enquanto essa mentalidade for alimentada por nós mulheres, ainda existirão homens abusando e violando mulheres. 
Orgulhosa após a marcha - Foto de Alice Tristão
Por isso fiquei tão feliz em ver homens em nossa pequena marcha, se alguns homens mudaram seu pensamento, é uma vitória e uma forma de atingir outros homens. Quando nós, mulheres, falamos com esse tipo de homens, eles não dão tanta importância a nossa opinião, somos apenas objetos. Mas, quando um igual fala com eles, eles param para prestar atenção e absorvem pelo menos um pouco do que foi dito.

Posso dizer que, mesmo menor do que imaginava, essa marcha foi um ótimo começo para a minha militância e um passo importante pra mudar a mentalidade dos juizforanos.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Confecção de cartazes para a Marcha das Vadias JF


Pessoal,

Estarei no dia 17 na Praça Cívica às 15h esperando o pessoal para a confecção dos cartazes para a marcha. Quem puder ir, leve sua(s) cartolina(s) e canetinhas hidrográficas e outras canetas de sua preferência e idéias maravilhosas de frases para colocarmos nos cartazes. :) Quem for chegar atrasad@, estaremos, se não chover, numa das mesas da Praça Cívica, se chover iremos pra dentro da biblioteca.
Quem não puder ir e confeccionar seu próprio cartaz, levarei alguns extra para a Marcha. :D

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Convocação para Marcha das Vadias JF

Mulheres e homens juizforanos!
Marcha das Vadias São Paulo - foto do site Rede Brasil Atual
Gostaria de convidar tod@s vocês para a nossa Marcha das Vadias em Juiz de Fora! Acredito que precisamos de uma inciativa como essa na nossa cidade, afinal, sabemos o quanto as mulheres daqui sofrem com o desconforto de não poder sair de casa vestidas como desejam por medo de cantadas ofensivas, passadas de mão e até coisas piores. Precisamos dar um basta a essa falta de respeito com o nosso corpo. Usar roupas curtas não é crime, estuprar é!
Bem, o evento foi divulgado no Facebook nesse link aqui: https://www.facebook.com/event.php?eid=209696035736497

A marcha acontecerá no dia 18 de junho, às 14h30 no Parque Halfeld. Mais pra frente, combinaremos uma data para a confecção dos cartazes e para combinarmos o itinerário da marcha!
Estão tod@s convidad@s!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Muito mais que um contraceptivo

Dia 28 de maio é o Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher e, apesar da correria com a monografia, decidi participar da blogagem coletiva do Blogueiras Feministas.
Não vou falar sobre nada novo, camisinha é o assunto mais lugar comum quando se fala de saúde sexual feminina. E o que mais me intriga é saber que ainda existem mulheres que não as usam com seus parceiros fixos. Algumas dizem não usar pois usam outro método contraceptivo e outras porque confiam no parceiro. Independente do motivo, acredito que a camisinha tá muito além de confiança ou contracepção.
O uso da camisinha é questão de saúde, não usá-la pode levar a mulher a pegar alguma DST, dentre elas a aids. Sei que é chover no molhado, mas qualquer outro método contraceptivo não te protege dessas DSTs. E sabemos que, por mais que a gente confie em nossos parceiros, deslizes podem sim acontecer. E isso não faz deles menos confiáveis, apenas prova que são humanos. Em outra hipótese, esse seu parceiro, muito fiel a você, pode ter o vírus HIV em seu corpo sem ele se manifestar e te passar sem nem saber, afinal, seu parceiro teve um passado antes de te conhecer. Outro motivo é simples, ele pode pegar uma micose, de piscina, praia ou sei lá, e te passar e vocês ficarem um reinfectando o outro. Não tem muito como fugir, o uso da camisinha é necessária em qualquer relacionamento.
campanha do carnaval de 2009
De acordo com o site Mulheres contra DST e Aids, 50% das pessoas infectadas pelo vírus HIV no mundo são mulheres e a população feminina infectada pelo vírus está crescendo na América Latina, com aproximadamente 550 mil mulheres. E, independente de campanhas, as mulheres continuam não usando camisinhas e se infectando com seus parceiros fixos.
O sexo seguro não é necessário só em one night stand, a camisinha precisa ser usada em namoros longos e casamentos. Em 2009, a campanha do governo sobre o uso de preservativos no carnaval, foi direcionada a mulheres de 50 anos ou mais, graças ao aumento de mulheres nessa idade a se infectar com o vírus. E sabemos que a maioria das mulheres nessa idade tem relacionamentos fixos ou são casadas. De acordo com o site, as mulheres nessa idade não têm muita voz para pedir a camisinha para o seu parceiro e conseguir fazer essa mulher ter voz para pedir e não aceitar transar sem a camisinha:


Mas, ao falar sobre isso, abordamos muito mais que simplesmente a vontade da mulher. Abordamos também a falta de coragem dessa mulher de pedir ao seu companheiro para colocar a camisinha, uma mulher ainda submissa ao homem. E essa submissão chega a tal ponto dela não conseguir exigir sua própria proteção durante o sexo. E o que mais além disso ela não exige de seu parceiro? No que mais ela é submissa ao seu marido?
Queria mesmo terminar esse texto com alguma frase de efeito legal que combinasse com o que escrevi, mas não tenho muito o que dizer. Esse post é apenas uma reflexão rápida sobre a submissão da mulher em relação ao seu companheiro, deixando-o decidir tudo por ela, sem direito a opinião própria.


Links de outros posts da blogagem coletiva:


Veja mais links no post do Blogueiras Feministas - 28 de maio - dia internacional pela luta da saúde da mulher

    terça-feira, 10 de maio de 2011

    Corpo perfeito?

    Esse domingo ao entrar em uma loja em um shopping de Juiz de Fora, passei por um momento desconfortável:
    Enquanto minha mãe era atendida por uma funcionária da loja, eu olhava uma blusa de frio, ao perguntar a outra funcionária quais os tamanhos daquela blusa ela teria, recebi um sorrisinho cínico e logo depois ela guardou a blusa M colocando a de tamanho G na minha frente e se retirando. Aquilo me deixou incomodada, minha vontade era de sair da loja naquele exato momento, minha irmã não deixou, fez queixa a funcionária que atendia a ela e minha mãe, mas no final, acabamos nos recusando a comprar na loja. Sabe o mais curioso? Eu tinha aproximadamente o mesmo peso que essa moça que fez esse deboche comigo.
    Mesmo que ela fosse magra, o que faz ela acreditar que pode agir assim com uma pessoa? Porque não ter o peso que a mídia acredita ser o certo me faz indigna de usar qualquer tipo de roupa? Sempre me pergunto isso, essa vendedora só fez o que lojas grandes já fazem em sua grande maioria, escolher quais roupas uma pessoa que veste mais que o tamanho 42 deve usar.
    Tit Profile de Robert Mapplethorpe
    Virou comum você procurar roupas em lojas daquelas grandes e só encontrar roupas na área feminina comum até o tamanho 42, quando você procura tamanhos maiores, algum vendedor te avisa que não tem mas que tem uma área "plus" onde você encontra roupas com o seu tamanho. Essa área "plus" geralmente não tem as roupas da moda, tem roupas mais largas, as vezes até feias. Porque uma mulher considerada gorda não pode usar roupas que mulheres consideradas magras podem? É como se mulheres ditas gordas só pudessem usar roupas que escondem seu corpo, como se fosse uma vergonha ser gorda.
    A gente precisa primeiro entender que ser gorda não é uma coisa ruim, um xingamento, é apenas uma característica de alguém. se você é gorda ou magra, você não é superior ou inferior a ninguém, nós, mulheres, precisamos entender isso e conviver bem com o nosso corpo. Será que o mais importante não seria a saúde, os cuidados com o corpo, uma alimentação saudável e se você for gorda ou magra, cuidando da saúde, não faz diferença?!
    Aliás, o que é ser gorda, magra, ter o corpo perfeito? Ser como manda a mídia é ter um corpo perfeito? Nessas horas fico querendo saber sobre o gosto pessoal, subjetividade de uma pessoa, será que todo homem tem preferência pelo padrão de beleza que dita a mídia? Será que uma mulher ou um cara vai escolher seu ou sua parceir@ por causa do peso ou porque tem o corpo igual ao da Juliana Paes ou de qualquer mulher vista como bela pela mídia? Se alguém pensa assim, você, que dá valor ao caráter e a personalidade muito mais que a beleza, vai se relacionar com essa pessoa? Alguém que dá mais valor ao peso e ao que é considerado bonito nos padrões de beleza clichê não seria superficial demais para nos preocuparmos? Se não desejamos uma pessoa que não seja superficial então não devemos dar valor a pessoas assim.

    Eu continuo sem entender o desespero que muitas mulheres têm para ter um peso, um corpo e um tamanho de roupa ideal de acordo com a mídia. Enquanto existir essa necessidade milhares de mulheres se sentirão mal ao entrar em uma loja.

    segunda-feira, 2 de maio de 2011

    Menstruação e achismos de alguém que quer quebrar (seus próprios) tabus!

    Pra participar da blogagem coletiva da 2@ Vermelha, decidi repensar tabus sobre meu corpo, menstruação e tudo que ela significa pra mim e para outras mulheres.
    Sempre fui uma mulher que sofreu com menstruação, cólicas horríveis, enjôos, dores de cabeça, stress e um fluxo muito forte - estou sentindo tudo enquanto falo, afinal hoje é o meu primeiro dia de menstruação - e sempre tive uma raiva danada de ficar de cama no primeiro dia de menstruação. Mas nunca entendi o que faz tanta mulher sentir nojo da menstruação. Eu mesma já tive nojo de menstruar, já vi o sangue da minha menstruação como algo muito sujo. Hoje, tento quebrar esse tabu de sujeira, afinal, quando me machuco e sangro não tenho nojo, qual a diferença de um sangue pra outro?
    Outra coisa que tenho tentado entender é porque toda mulher passa um período da vida torcendo para a menarca descer e, depois que ela desce, passa amaldiçoar todo mês a menstruação? Muitas delas nem sofrem com cólicas, mas vivem a reclamar de passar por isso todo mês. Se o homem menstruasse, com certeza, seríamos ensinadas que menstruação é algo bom, mas como somos nós, mulheres, quem menstruamos ouvimos desde a infância que menstruação é tortura, sem nem entender o porque. Eu mesma preciso parar de reclamar desses dias e sentir o que está acontecendo com o meu corpo: ele tá passando por uma limpeza, tá renovando um ciclo. Eu passo tanto tempo reclamando das dores que esqueço da melhor parte da menstruação, minha libido aumenta e eu fico mais sensível, tudo me faz rir, chorar e amar os outros! Eu ontem mesmo, me peguei chorando de tanto rir com uma piada boba, isso não é maravilhoso?! Sentidos aguçados, daí vem minha irritação e também é daí que vem minha felicidade excessiva.
    Falando em sentimentos e aumento da libido, porque tem mulheres que não transam quando estão menstruadas? Eu adoro transar quando eu to menstruada! Estou mais sensível, despreocupada com gravidez(assumo sou uma pessoa sempre grilada, usando pílula e camisinha eu sempre acho que podem falhar, e fico sempre nervosa com a possibilidade de engravidar antes de terminar a pós, o mestrado e o doutorado!), não tem porque não transar. Mas tem mulheres que não aceitam transar, por nojo do próprio corpo ou por medo do parceiro sentir nojo. Mas uma vez me pergunto, se fossem os homens, existiria todo esse nojo, essa sensação de impureza no nosso corpo? É algo a se pensar.

    Eu espero me livrar de muitos tabus até a próxima 2@ Vermelha e poder contar a vocês como é viver sem preconceitos com o meu próprio corpo.

    Postagem no Blogueiras Feministas, site da Campanha e links de outras Blogueiras Feministas:

    sábado, 30 de abril de 2011

    A mulher e a sociedade

    Trecho do meu trabalho de conclusão do curso de extensão em consciência corporal.

    Lydia Cheng, 1985
    © Robert Mapplethorpe
    No mundo de hoje, as pessoas vêem seu próprio corpo como um pertence nosso, que se nos deixa insatisfeitos, podemos consertar, não notamos que esse corpo é parte de nós, sente nossos estresses e a forma que lidamos com ele. Acabamos vendo o nosso corpo como um objeto, um utilitário como uma roupa ou um carro, só que não notamos que se nosso corpo estragar não podemos trocar por outro mais novo. Apesar de todas as cirurgias plásticas ou por outros motivos, ainda não conseguimos trocar de corpo, devemos cuidar para que este não se “estrague”. Outro problema que o nosso corpo sofre é a não utilização dele, tudo que vem do corpo é considerado ruim. Muitas religiões acreditam que sentimentos corpóreos são ruins, pecaminosos e errados, os intelectuais, em sua grande maioria, esquecem do corpo, por considerá-lo desnecessário e inclusive fonte de sentimentos, que os sentimentos são prejudiciais ao raciocínio.
    Esses problemas em relação à visão corporal só pioram quando se fala especialmente de mulheres. Muitas mulheres, por causa de sua criação, lidam com seu corpo como objeto masculino, ou seja, até seu casamento ou até começar a namorar, seu corpo pertence ao seu pai, após o casamento ou um início de namoro mais sério, o dono de seu corpo vira seu companheiro amoroso. Se o corpo não nos pertence, então devemos agradar o dono desse corpo. Esse é o pensamento das mulheres chinesas que enfaixavam os pés de suas filhas e das mulheres chinesas que aceitavam ter seus pés enfaixados. Aceitando a dor e o sofrimento ao andar, só para se sentir atraente ao seu parceiro. Muitas mulheres contemporâneas se encaixam nesse perfil também. Fazendo o que agrada seu marido ou namorado.
    Outra visão corporal problemática da mulher é quando ela acredita que seu corpo é apenas um utilitário para conseguir o que se deseja, como um namorado, ou até se encaixar num padrão de beleza esperada e moldada pela mídia. O problema é que muitas mulheres quando não se sentem encaixadas nesse padrão de beleza modificam o corpo sem se preocupar com ele. Cirurgias plásticas, roupas, e sapatos que fazem mal ou machucam e dietas malucas são exemplos dessa visão utilitária do corpo feminino. Essa mulher sofre com dores nos pés, mas se acostuma com essas dores, anestesiando seus pés com o costume do uso de sapatos de salto alto. Se não aguenta, faz cirurgias para aliviar as dores. O ideal não seria deixar de usar sapatos que nos machuque os pés?
    A sociedade, através da mídia e do que apreendemos dentro da nossa família, nos impõe essa visão corporal feminina e a considera normal. Quando conhecemos mulheres que se diferenciam desse costume são estranhas, masculinizadas, desleixadas ou até mesmo “hippies”.

    terça-feira, 26 de abril de 2011

    Dalva, uma mulher sem vida

    Eu não assisti a novela O Clone quando ela passou pela primeira vez, na época, dormia muito cedo por causa dos estudos. Agora, tenho assistido alguns episódios da novela, quando vi a blogagem coletiva do Blogueiras Feministas, pensei em falar sobre a Dalva (interpretada por Neuza Borges), a governanta de Leonidas Ferraz, do núcleo rico e brasileiro da novela.
    Dalva criou Diogo e Lucas, na primeira fase da novela, cuidando de suas roupas, seu relacionamento com o pai, sem contar que também cuida de tudo relacionado a casa da família Ferraz. Na segunda fase da novela, ela cuida de Mel, filha de Lucas. Seus cuidados com as crianças da família nos leva a uma época bem antiga, antes da abolição da escravatura, onde as crianças tinham amas de leite e eram cuidadas por negras, que eram escravas de casa. Quando a escravidão foi abolida, muitas mulheres negras, sem oportunidade de outros empregos, continuaram a trabalhar com trabalho doméstico, cuidando de casa, crianças, lavando roupas pra fora. Isso explica porque tantas trabalhadoras domésticas são negras ou descendentes de negros.
    Mas eu quero falar sobre outra coisa, sobre algo muito normal nas novelas da Globo, a sensação de que a trabalhadora doméstica só existe para servir seus patrões. As domésticas das novelas, normalmente só aparecem dentro da casa onde trabalha, cuidando da família pra quem trabalha, sem vida social, relacionamentos amorosos, quando há relacionamentos amorosos, são mostrados de forma jocosa, para ser motivo de risos.
    Dalva não sai daquela casa, não tem irmãos, amigos, conhecidos ou até mesmo relacionamentos amrosos. Sua grande preocupação, já que não tem um drama pessoal, são os problemas de seus patrões: O casamento fracassado de Lucas, por exemplo. Sem vida pessoal, Dalva é esquecida, ela é apenas um acessório na casa da família Ferraz. Isso não seria um espelho da nossa sociedade? Onde nós também esquecemos das trabalhadoras domésticas, seus dramas familiares, sua vida pessoal, sua família. Acreditamos que ela não precisa de nada mais, ignorando-as como seres humanos.
    Não sabemos quem são essas mulheres que  convivem com nossos familiares, como é sua vida, se estudam, se desejam algo diferente em seu futuro. E não é só isso, as vezes vemos como essas trabalhadoras são tratadas de forma rude, grosseira, sem nenhuma educação. Se vemos essas mulheres como acessórios de nossas casas, não nos sentimos culpadas em tratá-las dessa forma.
    Aí, depois de darmos toda essa volta, chegamos no primeiro assunto do post, resquícios da escravidão no nosso país. Será que as domésticas ainda são vistas como as escravas da Casa Grande? Por isso não as humanizamos?

    Outros posts:

    segunda-feira, 25 de abril de 2011

    This is not an invitation to rape me - divulgação

    Bem, no post de hoje, decidi fazer algo pequenino, uma divulgação sobre o site This is not an invitation to rape me e também a minha humilde opinião sobre esse projeto e a necessidade de algo do tipo aqui no Brasil.
    Renata Oliveira Lima postou no Blogueiras Feministas um texto sobre esse site e me senti muito interessada em falar sobre isso, nem que seja reforçar que nenhuma mulher, mesmo bêbada, mesmo desistindo no meio das preliminares, mesmo andando nua pela rua e mesmo casando com você, é culpada por um estupro.
    Vejo aqui no Brasil, muitas mulheres com medo de denunciar estupro porque acredita que criou a oportunidade, porque andou numa rua deserta, porque bebeu demais, porque foi para a casa de um cara e depois desistiu de transar. Não é justo a vítima se sentir culpada de uma violência tão injusta como essa.
    Leiam e divulguem esse site, quem sabe assim essas injustiças diminuam!

    segunda-feira, 18 de abril de 2011

    Música

    Não sou católica, mas tem algo nas músicas sacras que me fazem ficar emocionada. Hoje eu quase chorei na igreja, em plena apresentação do coral onde canto.
    É curioso ver como a música mexe comigo, uma música de dor de cotovelo me faz chorar, mesmo sem nenhuma decepção amorosa; uma música mais revoltada me faz querer quebrar tudo que está na minha volta; uma música alegre me faz dançar e pular.
    Não tenho formação teórica musical, então não me considero uma musicista (me considero uma cantora), mas eu entendo as letras, as notas e me sinto absorvida por esse sentimento. Falando com as meninas do Blogueiras Feministas, montando playlists feministas via twitter e emails, eu tinha picos de emoções completamente diferentes.
    E hoje, na apresentação foi o ápice de sentimentos, estava cantando uma música que falava de Cristo que estava crucificado, sendo torturado e a melodia tinha um quê de depressiva. Segurei firme, engoli seco e mantive as lágrimas paradas, que secaram logo depois com as músicas africanas que me fizeram dançar!

    Bem, já que falei da playlist feminista aqui vai algumas dicas das meninas que valem muito a pena ouvir no volume máximo:

    • Arch Enemy com "My Apocalypse" - dica da @
    •  Madonna com "Express Yoursefl"
    •  Ludov com "Urbana" - dica da @
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      domingo, 17 de abril de 2011

      Mulheres e a mutilação corporal - pés e sofrimento

      A mulher sofre mutilações de todas as formas, por motivos religiosos ou estéticos.
      Sei que quando falamos nesse assunto logo nos passa pela cabeça a mutilação genital, mas queria falar sobre outra forma de mutilação nas mulheres:

      Quando vi pela primeira vez algo relacionado a esse costume chinês, eu tinha 10 ou 11 anos, não lembro em qual revista, mas lembro dos depoimentos das mulheres, que contavam sobre o enfaixamento de seus pés, e o depoimento masculino, que sempre falava de como era sensual o formato e o cheiro dos pés daquelas mulheres. Lembro que fiquei tão impressionada que nunca mais esqueci disso. E, assim que tive a oportunidade de escrever sobre isso, em um trabalho de conclusão de curso de extensão de consciência corporal, fiz um paralelo entre os sapatos de salto alto de hoje em dia e os pés dessas chinesas.
      As meninas por volta dos 5 anos de idade tinham seus pés enfaixados por ataduras de 3 metros de comprimento. Com seus ossos, ainda muito maleáveis, se adaptavam ao formato desejado, atrofiando os pés e os mantendo com o tamanho de no máximo 10 cm. Algumas das mulheres entrevistadas contavam que a dor era muito grande: 
      "Doía tanto que à noite que eu desamarrava escondido. Quando meus pais descobriram, eles me bateram e costuraram a faixa"
      Zan, de 97 anos, conta isso para a reportagem da BBC. Nessa mesma reportagem, conta-se que a lei contra o enfaixamento de pés foi criada em 1912, mas isso não impediu que alguns chineses que moravam no campo enfaixasse os pés de suas filhas.
      A maioria das mulheres aceitavam a dor e o sofrimento por medo de não conseguir um marido, na China, mulheres de pés grandes não conseguiam maridos. Os homens se sentiam atraídos por pés pequenos e com um arco bem grande, fazendo desses pés a parte do corpo mais desejada em uma mulher. As relações sexuais giravam em torno dos pés das mulheres.
      Como foi falado, muitos chineses, mesmo depois da proibição, ainda enfaixavam os pés de suas filhas. Em 1949, mulheres que tiveram seus pés enfaixados foram chamadas a tirarem as bandagens. Com o novo governo, os pés pequenos, que eram vistos como ícone de beleza, passaram a ser ridicularizados.
      Algumas pesquisas posteriores descobriram que os pés de flor de lótus podiam causar problemas de saúde, como fraturas na bacia, coluna vertebral e outros, graças ao tamanho e fragilidade deles.
      Não se sabe o motivo para esse costume (pelo menos eu não achei nada que explicasse sua origem), mas existem algumas lendas sobre como ele foi iniciado.

      O interessante é ver como muitos dos clichês em relação a posturas chamadas de "femininas" nas culturas são repetitivas: "mulheres que não tem X não conseguem maridos." Seja uma postura, um tipo físico, o que for, não importa. Vemos em vários locais essa idéia fixa de que mulher deve se adaptar aos desejos masculinos para que tenha um companheiro e seja feliz. Como se a felicidade da mulher só existisse quando ela tem um homem ao seu lado.
      Essa idéia desvaloriza a mulher como um indivíduo, transformando-a em um objeto de posse masculina. Não mudou muito ao longo do tempo essa visão, continuamos vendo muitas mulheres passando por sofrimentos para se encaixar no padrão de beleza ocidental de hoje em dia.
      Quando, no meu trabalho, fiz o paralelo entre os sapatos de salto de hoje e os pés das chinesas de um século atrás, foi exatamente para mostrar como nosso corpo tem a obrigação de atender aos desejos masculinos até hoje. Não sou nenhuma radical que acredita que se deve proibir o uso de saltos (eu até uso as vezes, quando sinto vontade), só acredito que precisamos pensar até que ponto a nossa saúde deve ser afetada pela "obrigação de estar bonita".

      sábado, 16 de abril de 2011

      Hoje to meio sem vontade de fazer nada, minha sinusite tá me estressando demais da conta. Nessas horas eu gosto de ouvir músicas, e por algum motivo quero Bjork! Vim aqui pra compartilhar com vocês esse vídeo: Bjork - Pagan Poetry

      quinta-feira, 14 de abril de 2011

      O Corpo Feminino

      Nu Feminino de Robert Mapplethorpe, 1987

      *Esse texto eu fiz para um curso de extensão de consciência corporal (2009 e 2010) e decidi publicar aqui*

      Durante o Feudalismo, a mulher era apenas parte da propriedade masculina, até seu casamento era propriedade de seu pai, que em seu casamento a vendia a um homem que se transformaria em seu marido. É claro que haviam algumas mulheres que viviam com certos privilégios, mas mesmo essas eram propriedade dos homens. Pensemos no corpo feminino como um móvel da casa do camponês ou do nobre, quanto mais rico o dono mais bem cuidada ela era. Nessa época a Igreja Católica, considerava a mulher como a tentação, muito bem mostrado no livro O Nome da Rosa1.
      O Feudalismo começa a entrar em decadência por volta do século XV ou XVI, nessa época o Renascimento está bem estruturado na Europa e começam as navegações pelos demais continentes. Nesse momento entram em cena outros corpos femininos, corpos de indígenas americanas e africanas, que sofriam violência sexual de navegadores europeus, se uma européia já era vista como objeto, mesmo sendo batizada e visitando a igreja, imagine como seriam vistas mulheres “sem alma”. Nessa mesma época, a Europa passava por uma grande mudança, o antropocentrismo começava a tomar conta, Deus já não era tão importante quanto o homem. Assim, começam pesquisas a procura de ciências novas e para retomar as antigas ciências gregas. No início da Reforma Protestante algumas mulheres começam a se fazer notar em cortes européias. A Rainha Virgem foi uma das grandes mulheres dessa época: Elizabeth foi a primeira herdeira mulher do trono inglês que não casou-se, morrendo sem herdeiro.
      Também entre os séculos XV e XVI, começou o Tribunal de Ofício, a Inquisição, onde muitos cientistas e mulheres foram queimados acusados de bruxaria. Uma dessas mulheres, foi Joana d'Arc que lutou ao lado dos soldados de França contra os ingleses, queimada na fogueira por bruxaria, sendo vista como tal até o final do século XIX. Seu corpo foi queimado em praça pública pois Joana afirmava ouvir vozes de santos, que o Tribunal acreditava serem vozes demoníacas. Após dar a vitória a França e ser esquecida por séculos, ou apenas lembrada como bruxa, no século XX foi beatificada, se transformando na santa padroeira da França.
      Com isso chegamos a Idade Moderna, ao início da Revolução Industrial, onde mulheres, homens e crianças de classe baixa eram vistos como simples força de trabalho, com vida quase escrava. Nesse momento a diferença entre homens e mulheres era exatamente o desrespeito sofrido pelas mulheres em casa e nas fábricas, sofrendo abusos, espancamentos, isso sem contar o salário mais baixo. Apesar de também trabalhar, a mulher ainda era propriedade do homem, então nesse momento o corpo feminino se transformou em propriedade de seu marido ou pai e de qualquer homem que estivesse acima dela no seu trabalho operário, sendo submetida a regras rigorosas e a abusos de seus chefes e colegas de trabalho. Contudo, as mulheres eram em maior quantidade no trabalho das fábricas e nesse momento a mulher era vista como um homem imperfeito, e por sua imperfeição era inferior ao homem, sem direitos de cidadão, sem muita liberdade. Nessa época a mulher tinha de ser desprovida de qualquer traço de feminilidade e sedução, mantendo a sexualidade feminina como um tabú. Para ser uma mulher correta precisaria ser mãe e esposa, sem qualquer manifestação de desejo sexual. Com isso muitas mulheres passaram a utilizar seu corpo para realizar os desejos dos maridos que tinham esposas corretas como mandava o figurino. De certa forma, se não existisse a esposa correta não existiria a prostituta e vice e versa.
      No século XIX, algumas mulheres começaram a se reunir para reivindicar direitos que os homens tinham mas não eram dados as mulheres. De início foi a busca por votos, acreditava-se que esse direito abriria portas a outros direitos, mas após conseguir o direito ao voto, as lutas começaram a esfriar e diminuiram aos poucos. Enquanto isso o corpo feminino se manteve como propriedade dos homens.
      Foi no século XX que as revoluções voltaram a tomar mais força, foi na década de 30 e 40 que os países socialistas e capitalistas começaram a absorver as reivindicações femininas, dando as mulheres mais um pouco de individualidade, durante a Segunda Guerra as mulheres voltaram a ter força e voz trabalhando fora de casa, para manter a economia mundial funcionando enquanto seus maridos lutavam por seus países. Com o término da guerra, tudo voltou a ser como era antes, mulheres como donas de casa, propriedades de seus maridos ou pais. Com a década de 60 veio a luta pela liberdade sexual, começando assim a luta pela liberdade e autoridade da mulher sobre o seu corpo. O movimento Hippie que reivindicava paz e liberdade de expressão ajudou muito nas lutas feministas, essa revolução é considerada como a segunda revolução feminista da história do mundo ocidental. A terceira revolução feminista foi na década de 90, onde aumentaram as conquistas. Aqui no Brasil, as mulheres passaram a poder acusar seus maridos de estupro: o que era uma obrigação da mulher para seu marido virou uma decisão de ambos, escolha do casal e não mais do homem. Também foi tirado de nosso código civil o direito do marido de devolver a esposa se ela não tiver casado virgem, ou seja, a mulher deixou de ser aos olhos da lei um objeto do homem, tendo direito de escolher o que fazer com seu próprio corpo.
      O direito ao voto, ao divórcio, liberdade sobre suas decisões, direito a estudar, de trabalhar, o salário quase igual ao dos homens, uso de contraceptivos e em alguns países a liberdade de decidir interromper a gravidez. Essas conquistas deram uma grande liberdade da mulher sobre o seu próprio corpo e criou uma outra escravidão: a obrigação de se libertar de tabús.
      As mais novas gerações femininas podem usufruir de seu próprio corpo, podem se dar o direito de sentir prazer, de viver como desejam, mas junto dessa liberdade corporal veio uma prisão, essa obrigação de ser livre, ter pensamentos avançados e fazer o que todos fazem. Muitas meninas e mulheres acabam se sentindo pressionadas a fazer com seu corpo o que os outros dizem certo. Viramos escravas da liberdade do nosso corpo, nos transformamos em mulheres que não podem desejar filhos, casamento ou viver uma vida sem excessos, afinal, agora podemos fazer tudo que não podíamos.
      Esse é o meu questionamento: o corpo feminino realmente está liberado, ou a liberdade criada pelas mulheres saiu de controle e se transformou novamente em prisão, sem direito a escolhas diferentes das escolhas vistas como certas pelas demais mulheres? Fazer valer as conquistas que ganhamos em anos de luta não é se forçar a agir da forma que não queremos. As mulheres ganharam o direito de escolher o que fazer da sua vida, não obrigadas a mudar de prisão. As mulheres continuam presas, só mudaram as algemas.

      Bibliografia:
      1 ECO, Umberto 1980, Il nome della rosa tradução por Maria Celeste Pinto, Círculo de Leitores

      Mulher e arte - Guerrilla Girls


      A arte, como todas as outras manifestações humanas de longas datas, é um território masculino e misogino.
      Quando comecei a estudar arte contemporanea, conheci um movimento de guerrilha feminista que reinvindicava a entrada das mulheres em exposições, museus e salões de artes: O Gerrilla Girls. Nós, eu e o movimento, nascemos no mesmo ano em 1985.
      Com máscaras de macacos e nomes de mulheres artistas que já morreram, as performers e artistas desse movimento mostram com imagens humorísticas e chocantes o machismo, o racismo e a corrupção. Elas mostram de forma escancarada tudo que não vemos por estar nas entrelinhas, distorcendo os fatos para que o espectador possa ver de uma nova forma e, quem sabe, mudar de opinião.
      A primeira imagem que vi dessas mulheres foi um outdoor que perguntava: "Nós precisamos ficar peladas para aparecer no Met. Museum?", denunciando uma porcentagem assustadora - onde 3% dos artistas no Museu Metropolitan de NY são mulheres e 83% dos nús são femininos!
      O trabalho dessas mulheres ainda não terminou, na sua visita em dezembro de 2010 ao Brasil, Frida Kahlo e Käthe Kollwitz contam que o feminismo tem mudado a vida das mulheres em todo mundo, mas ainda é a passos vagarosos na maioria dos lugares.
      Confesso que o trabalho dessas mulheres me transformou, finalmente entendi o que era ativismo no meio artístico, e quis fazer parte desse ativismo, lutar pelo que acredito!

      Se estiverem interessados em mais informações, entrem no site: www.guerillagirls.com

      terça-feira, 5 de abril de 2011

      Aulas de pintura feminina - Modernismo

      Ah, passei minha vida toda apaixonada por artes, trabalhos sensíveis, mas minha grande paixão são as artes femininas.
      Tudo começou quando vi pela primeira vez o Abaporu da Tarsila, assumo que hoje em dia nem me atrai tanto o estilo de Tarsila, mas ouvir da minha professora de arte que ela era uma pintora que procurava brasilidade e identidade própria, eu fiquei apaixonada. Na década de 20, mulher mal saía de casa, ela queria fazer algo próprio!

      Abaporu de Tarsila do Amaral

      Com ela, conheci Anita Malfatti, uma pintora muito mais depressiva que Tarsila, mas também muito talentosa. Eu ouso dizer que prefiro seus trabalhos ao trabalhos de Tarsila. Sua deficiência a tornava muito triste, Anita tinha atrofia na mão direita, fazendo-a se transformar em canhota, passando por dificuldades e preconceitos durante a juventude. Seu trabalho tem todo o peso de sua vida, sua depressão, suas dificuldades para começar a escrever e pintar, tudo inscrito em seus trabalhos. Talvez seja isso que me atraia tanto em suas pinturas.

      A Estudante de Anita Malfatti

      Mas o auge da minha paixão modernista foi definitivamente a pintora mexicana Frida Kahlo. Suas pinturas me trazem uma sensação de angústia e um desejo de abraçá-la tão forte que me fazem chorar. Sua poliomelite na infância foi apenas o início de sua vida cheia de cirurgias, doenças e acidentes. Frida era manca graças a doença, isso a fez usar apenas calças durante a juventude, depois começou a usar saias longas e lindas, diga-se de passagem. Com 18 anos Frida sofre um acidente grave, durante uma batida do bonde onde estava, um para-choque atravessou suas costas, saindo pela pélvis, ficando entre a vida e a morte. Depois desse acidente, Frida começa a pintar.
      Seu sofrimento em relação ao uso de coletes ortopédicos, graças ao acidente que sofreu, são relatados em sua biografia e ela chegou a pintar alguns desses coletes. Mas seu maior sofrimento era o de não poder ter filhos, ela tentou várias vezes e teve vários abortos, também retratados em suas obras.
      A força de seu trabalho vem de todas as suas infelicidades, suas inúmeras cirurgias para reconstrução da coluna, de seus relacionamentos amorosos complicados e infelizes e de suas tentativas frustradas de ser mãe. Após tantas tentativas de suicídios, não se sabe se sua morte foi ou não um suicídio.
      As Duas Fridas de Frida Kahlo

      Assumo uma paixão por seu trabalho graças a sua força de sentimentos, choro toda vez que vejo A Coluna Partida e As Duas Fridas. Não a considero surrealista, muito pelo contrário, não vejo sonhos em suas pinturas, vejo apenas autoretratos insatisfeitos.

      Assumo que gosto de arte que me traga uma sensação de dor e infelicidade, o motivo eu não sei muito bem. Mas a depressão numa obra de arte me faz admirá-la mais que uma obra "feliz". E é isso que procuro nos artistas modernistas: Depressão, claro que com uma pitadinha de revolução.

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