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terça-feira, 17 de maio de 2011

Homossexualidade não se aprende, homofobia sim!

Hoje é dia da luta contra a homofobia e com todo essa discussão em relação ao programa Escola Sem Homofobia, decidi escrever um pouco sobre isso.

Quando comecei a ver pessoas pouco esclarecidas repetindo frases ditas por Jair Bolsonaro e seus colegas homofóbicos, "esse kit gay irá incentivar o aliciamento de crianças de 7 a 10 anos nas escolas" ou "nossas crianças aprenderão a ser gays, lésbicas, travestis, bissexuais e transexuais.", fiquei assustada. Essas frases são absurdas, ninguém aprende a ser homossexual com adultos!
Eu acredito que não nascemos homossexuais, mas também não acredito que a homossexualidade é aprendida. Se fosse assim, como poderíamos explicar pessoas homossexuais que aparecem em famílias tradicionais e homofóbicas? A mídia não pode mudar a sexualidade de ninguém, muito menos a convivência com pessoas de sexualidade diferente da sua.
Um exemplo disso são homossexuais que assistem filmes, novelas e séries que valorizam os relacionamentos amorosos heterossexuais e nem por isso deixam de ser homossexuais. Então, nem adianta inventar que seus filhos se transformarão em homossexuais, transgêneros ou bissexuais só porque assistiram aos vídeos do programa Escola Sem Homofobia.

Imagem de Campanha do Grupo Católicas Pelo Direito de Decidir
Outra coisa que precisamos discutir aqui é a faixa etária desse programa. Seus filhos de 7 a 10 anos não assistirão a esses vídeos, eles são destinados a alunos do ensino médio. E o assunto homossexualidade deve sim ser conversada com alunos de todas as idades, mas, claro, de formas diferenciadas. Se a criança ainda é nova para ter interesse sexual, não precisamos falar sobre sexo de forma explícita, mas devemos explicar de onde vêm os bebês. Funciona da mesma forma o assunto relacionado a orientação sexual e questões de gênero.
Lutar contra o preconceito dentro de escolas é uma forma de terminar com a intolerância, seja ela qual for. Cabe ao professor ensinar a criança que aprende dentro de casa a intolerância que essa intolerância é errada, que todos merecem respeito. Porque homossexualidade não se ensina, mas a homofobia sim, e em vários lugares tem alguém pronto a ensinar a uma criança que devemos tratar com violência quem não é igual a gente.
Precisamos cuidar que nossas crianças não aprendam coisas ruins sim. Uma péssima educação nos leva a violência, intolerância e ao preconceito. A criança não nasce com preconceitos, com intolerância a diferença, nós as ensinamos a ser dessa forma.

Se quiser conhecer melhor o Programa Escola Sem Homofobia dê uma olhada nesses links:
Mais textos sobre homofobia do Dia Contra a Homofobia:

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Robert Mapplethorpe: fotografia, sexualidade e HIV

Self Portrait, 1980


Thomas, 1987
Depois de tantos posts com fotografias clicadas por ele, decidi falar sua biografia: isso mesmo, falarei de Robert Mapplethorpe!

Breve Biografia
Robert Mapplethorpe nasceu em Nova York no dia 4 de novembro de 1946 e morreu em Boston no dia 9 de março de 1989. Ele foi um dos grandes ícones da Pop Art.
Mapplethorpe se matriculou no Pratt Inrtitute no ano de 1963, onde estudou desenho, pintura e escultura. Influenciado por artistas como Marcel Duchamp (outro artista pra um belo post), tentou novos materiais, colagens com imagens recortadas de revistas e livros. Em 1970, ele comprou uma camera Polaroid e começou a fotografar para incorporar as colagens que fazia. Nesse mesmo ano, ele e Patti Smith começaram a morar juntos.
Lisa Lyon, 1982
Em 1973, Robert fez uma exposição chamada "Polaroides" e dois anos depois ele comprou uma câmera maior e começou a fotografar pessoas de seu círculo de amigos: artistas, socialites, músicos e estrelas de cinema pornográficos, ele também trabalhou com projetos comerciais, como a capa do album da Patti Smith.
No final dos anos 70 e início dos anos 80, Robert Mapplethorpe teve seu auge  como fotógrafo e, em 1986 foi diagnosticado com Aids. Apesar de sua doença, Robert continuou trabalhando, acelerando seu trabalho, aceitando encomendas de trabalhos mais desafiadores. Ele morreu no ano de 1989, mas antes, em 1988, ele criou a fundação Robert Mapplethorpe, que promove a fotografia e financia pesquisas médicas na luta contra o vírus HIV.

Suas Obras
Poppy, 1988
Robert Mapplethorpe trabalhou por muito tempo com retratos de conhecidos, mas suas maiores contribuições foram os nus femininos e masculinos e suas fotografias de flores. Sua orientação e preferência sexual marcou muito seus trabalhos, assumidamente bissexual e adepto do sadomasoquismo, demonstrava isso em vários de seus trabalhos. Sua flores não são simples fotografias de natureza morta, ele coloca a mesma sensualidade nessas flores, que têm a mesma conotação sexual que seus nus.
Essa sensualidade mostrada de forma explícita em seus trabalhos foi muitas vezes motivos de denúncias no Senado, Robert era acusado de obsceno e indecente. Seu último livro foi cassado e proibido nos EUA, logo após sua morte, criando uma das maiores polêmicas relacionadas à liberdade de expressão por lá.

Minha Opinião
Andy Warhol, 1986
Robert Mapplethorpe foi um dos maiores artistas do período contemporâneo, com trabalhos instigantes e muito questionadores. Sempre demonstrou que, diferente de muitas pessoas daquela época, não tinha motivos para se envergonhar de sua orientação sexual, sendo talvez um dos pioneiros na luta por uma visibilidade bissexual.
Ao se descobrir com o vírus HIV e saber que a doença era fatal, ao invés de se entregar a doença, correu atrás de fazer história e fazer o possível para ajudar a financiar pesquisas em sua fundação, que funciona até hoje da mesma forma que funcionava quando foi criada. Seu trabalho foi importante para além da arte, era um grito político a favor de qualquer forma de amar e da auto-aceitação.
Patti Smith, 1986
O que mais me deixa apaixonada pelo seu trabalho como fotógrafo é a sinceridade, ele mostra o que sente em todas as suas fotos, mesmo nas mais perturbadoras.
Tem horas que o considero mais indecente em suas fotografias de flores que na maioria de seus retratos nus. Não sei se minha opinião é tendenciosa, já que sei, muito antes de ver suas flores, que ele queria mostrar genitálias de plantas e não simplesmente flores na visão romantica, ou se elas são realmente tão sexuais. Deixa pra vocês julgarem por si mesmos.

Gostou do trabalho de Robert Mapplethorpe? Veja mais em The Robert Mapplethorpe Foundation
Esse blog possui uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License. Você pode copiar e redistribuir os textos na rede. Mas peço que o meu nome e o link do post original sejam informados claramente.
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