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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Marcha das Vadias JF - Como foi a luta!

Meninas de luta - Foto de Alice Tristão
Eu preciso escrever um pouco sobre o que senti durante e depois da Marcha das Vadias daqui de Juiz de Fora. Contar como foi minha primeira iniciativa como militante no mundo real.

Assumo que nunca tinha militado fora da internet e fiquei muito feliz com a marcha. Mesmo sabendo que a marcha foi pequena comparada com as marchas de outros locais, foi legal ver pessoas engajadas na luta ali, na minha frente.
As meninas fizeram cartazes, uma faixa grande e levaram um megafone pra gente agitar e falar pro povo da rua. Distribuimos panfletos e conversamos com transeuntes explicando qual era a nossa luta. O que mais me empolgou foi ver homens nos ajudando e dando apoio a nossa marcha. O marido da amiga minha Lu Vittori, foi entregar panfletos junto do seu filho, pequeninho, contando aos caras com quem conversava a história da marcha. Me senti orgulhosa dos meus companheiros de luta homens e mulheres, vi o quanto o feminismo é um movimento plural, feito por pessoas diferentes, homens e mulheres lutando pela igualdade entre os sexos.
Olha só os cartazes no chão e a gente cantando! - Foto de Alice Tristão
A minha tristeza foi notar o quanto a cidade de Juiz de fora é machista! Durante a marcha, eu vi alguns homens por perto rindo, como se a nossa causa fosse idiota. Também vi muitas mulheres ignorando a gente, meio de saco cheio por serem importunadas.
Sei que sempre fui extremamente Pollyana, sempre vi tudo com óculos cor de rosa, acho que se temos 15 pessoas lutando por uma causa já é um ótimo começo, claro, é melhor que ficar na inércia.
Aqui na cidade, o corpo da mulher ainda não é visto pela maioria dos homens (e mulheres também) como propriedade da própria mulher. Muitos homens ainda acreditam que a mulher é um objeto que se pode comprar ou roubar quando se deseja. Tem o "educado" que tenta nos comprar com uma cerveja, uma rosa ou com qualquer outro tipo de presente. E tem também o "bruto", o "abusador", que nos viola contra a nossa vontade. Pra mim, os dois olham para a mulher da mesma forma, como um objeto. Enquanto essa mentalidade for alimentada por nós mulheres, ainda existirão homens abusando e violando mulheres. 
Orgulhosa após a marcha - Foto de Alice Tristão
Por isso fiquei tão feliz em ver homens em nossa pequena marcha, se alguns homens mudaram seu pensamento, é uma vitória e uma forma de atingir outros homens. Quando nós, mulheres, falamos com esse tipo de homens, eles não dão tanta importância a nossa opinião, somos apenas objetos. Mas, quando um igual fala com eles, eles param para prestar atenção e absorvem pelo menos um pouco do que foi dito.

Posso dizer que, mesmo menor do que imaginava, essa marcha foi um ótimo começo para a minha militância e um passo importante pra mudar a mentalidade dos juizforanos.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O que é e porque ir a #MarchaDasVadias

Gente, esse texto é pequeno, mas é que eu tive um clarão criativo agora e quis escrever o texto que tá (eu sei eu sei) repetitivo. Muita gente já falou de coisas assim em blogs e sites quado se fala da marcha, mas vale repetir.


A marcha das vadias é uma manifestação pacífica contra a violência machista e sexual que sofremos no dia a dia. É de cunho feminista, mas deve ser uma luta de tod@s no mundo!

Acredito que é uma luta feminista, mas deve ser aderida por todos, afinal, todos nós sofremos com esse tipo de violência. Mulheres que são vítimas, parentes, amigos, namorados, namoradas e cônjuges de vítimas de abuso sofrem com essa violação. A luta contra a violência machista e sexual é de todo mundo!
Nós mulheres aprendemos a nos calar por medo de sermos tratadas como culpadas da violência que sofremos. Eu e qualquer mulher ouvimos nas ruas cantadas, se respondemos, rebatem que nós pedimos pelas cantadas ofensivas, por causa de nossas roupas ou atitudes. Mas não somos culpadas, precisamos entender que a culpa é do violador, em qualquer momento ou circunstância. Se eu beber demais, sair com roupas curtas, ir a bares ou andar por ruas desertas, ninguém tem direito de me violar, nada é um convite pra me estuprar.
Eu fiz defesa pessoal, Krav Maga, por muito tempo, enquanto conhecidos meus homens faziam pra se defender de um assalto, eu fazia porqque tinha medo de sofrer violência sexual por agir e fazer o que muitos homens fazem no dia a dia sem medo algum. Onde já se viu precisar de defesa pessoal pra não sofrer com algo que mulher nenhuma deveria sofrer? E conheço muitas amigas que não saem certos horários, com certas roupas e pra certos lugares sem amigos do sexo masculino, por medo da violação sexual.
Isso porque não falei de mulheres e garotas que sofrem violação sexual sem nem sair de casa, de seus pais, tios, padrastos, irmãos, maridos e outros parentes ou amigos. Nenhum homem tem o direito de usar a força física ou qualquer outra coisa pra bater, humilhar ofender ou abusar de uma mulher. É covardia!
É por isso que sairemos amanhã em marcha. Não é apenas pelo direito de vestir uma roupa ou não, é por tudo isso que falei anteriormente. Pouca coisa, que todo mundo deveria ter direito desde seu nascimento e que nós, mulheres, muitas vezes não temos direito: a liberdade!
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